Começamos por explicar o que é o argumento.
—————————————————————————————————————————-
O argumento exprime com frequência o conceito geral de prova. É interessante todavia registar a exposição bonaventuriana, das mais complexas que se conhecem sobre o tema: tem o argumento quatro acepções. Equivale, primeiramente, à actividade raciocinante; toma-se, depois, como breve suma de algum prolixo; assume ainda o sentido de meio em que reside toda a força da argumentação, e chama-se, também, por fim, argumento à proposição máxima em que se firma todo o vigor da ilação. Em todas estas acepções chama-se-lhe argumento porque aguilhoa a mente e a ilumina para intuir a verdade e dar-lhe a sua adesão. Segundo Tomás de Aquino, o argumento é um processo pelo qual a razão progride do conhecido para o desconhecido. Ora,uma vez que toda a força do argumento reside no termo médio, já que é ele o veículo promotor do avanço lógico de todo o processo, por isso se torna o medium como o verdadeiro argumento, seja esse meio um sinal, uma causa, ou um efeito. Neste meio,como princípio essencial da prova, se contém toda a validade ou substância da argumentação que se produz. Daí o chamar-se argumento não só ao substracto da prova mas a toda a proposição prognóstica do desenvolvimento a produzir. Assim se torna coerente com a prova a noção de síntese antecipativa.
Falácias
—————————————————————————————————————————-
Há um certo número de “armadilhas” a serem evitadas quando se está construindo um argumento dedutivo; elas são conhecidas como falácias. Na linguagem do dia-a-dia, nós denominamos muitas crenças equivocadas como falácias, mas, na lógica, o termo possui significado mais específico: falácia é uma falha técnica que torna o argumento inconsistente ou inválido.
(Além da consistência do argumento, também se podem criticar as intenções por detrás da argumentação.)
Argumentos contentores de falácias são denominados falaciosos. Freqüentemente parecem válidos e convincentes; às vezes, apenas uma análise pormenorizada é capaz de revelar a falha lógica.
A seguir está uma lista de algumas das falácias mais comuns e determinadas técnicas retóricas bastante utilizadas em debates. A intenção não foi criar uma lista exaustivamente grande, mas apenas ajuda-lo a reconhecer algumas das falácias mais comuns, evitando, assim, ser enganado por elas.
Acentuação / Ênfase
——————–
A falácia a Acentuação funciona através de uma mudança no significado. Neste caso, o significado é alterado enfatizando diferentes partes da afirmação. Por exemplo:
“Não devemos falar mal de nossos amigos”
“Não devemos falar mal de nossos amigos”
Seja particularmente cauteloso com esse tipo de falácia na internet, onde é fácil interpretar mal o sentido do que está escrito.
Ad Hoc
——-
Como mencionado acima, argumentar e explicar são coisas diferentes. Se estivermos interessados em demonstrar A, e B é oferecido como evidência, a afirmação “A porque B” é um argumento. Se estivermos tentando demonstrar a veracidade de B, então “A porque B” não é um argumento, mas uma explicação.
A falácia Ad Hoc é explicar um fato após ter ocorrido, mas sem que essa explicação seja aplicável a outras situações. Freqüentemente a falácia Ad Hoc vem mascarada de argumento. Por exemplo, se admitirmos que Deus trata as pessoas igualmente, então esta seria uma explicação Ad Hoc:
“Eu fui curado de câncer”
“Agradeça a Deus, pois ele lhe curou”
“Então ele vai curar todas pessoas que têm câncer?”
“Hmm… talvez… os desígnios de Deus são misteriosos.”
Afirmação do Conseqüente
————————-
Essa falácia é um argumento na forma “A implica B, B é verdade, logo A é verdade”. Para entender por que isso é uma falácia, examine a tabela (acima) com as Regras de Implicação. Aqui está um exemplo:
“Se o universo tivesse sido criado por um ser sobrenatural, haveria ordem e organização em todo lugar. E nós vemos ordem, e não esporadicidade; então é óbvio que o universo teve um criador.”
Esse argumento é o contrario da Negação do Antecedente.
Anfibolia
——–
A Anfibolia ocorre quando as premissas usadas num argumento são ambíguas devido a negligência ou imprecisão gramatical. Por exemplo:
“Premissa: A crença em Deus preenche um vazio muito necessário.”
Evidência Anedótica
——————-
Uma das falácias mais simples é dar crédito a uma Evidência Anedótica. Por exemplo:
“Há abundantes provas da existência de Deus; ele ainda faz milagres. Semana passada eu li sobre uma garota que estava morrendo de câncer, então sua família inteira foi para uma igreja e rezou, e ela foi curada.”
É bastante válido usar experiências pessoais como ilustração; contudo, essas anedotas não provam nada a ninguém. Um amigo seu pode dizer que encontrou Elvis Presley no supermercado, mas aqueles que não tiveram a mesma experiência exigirão mais do que o testemunho de seu amigo para serem convencidos.
Evidências Anedóticas podem parecer muito convincentes, especialmente queremos acreditar nelas.
Argumentum ad Antiquitatem
—————————-
Essa é a falácia de afirmar que algo é verdadeiro ou bom só porque é antigo ou “sempre foi assim”. A falácia oposta é a Argumentum ad Novitatem.
“Cristãos acreditam em Jesus há milhares de anos. Se o Cristianismo não fosse verdadeiro, não teria perdurado tanto tempo”
Argumentum ad Baculum / Apelo à Força
—————————————
Acontece quando alguém recorre à força (ou à ameaça) para tentar induzir outros a aceitarem uma conclusão. Essa falácia é freqüentemente utilizada por políticos, e pode ser sumarizada na expressão “o poder define os direitos”. A ameaça não precisa vir diretamente da pessoa que argumenta. Por exemplo:
“…assim, há amplas provas da veracidade da Bíblia, e todos que não aceitarem essa verdade queimarão no Inferno.”
“…em todo caso, sei seu telefone e endereço; já mencionei que possuo licença para portar armas?”
Argumentum ad Crumenam
————————-
É a falácia de acreditar que dinheiro é o critério da verdade; que indivíduos ricos têm mais chances de estarem certos. Trata-se do oposto ao Argumentum ad Lazarum. Exemplo:
“A Microsoft é indubitavelmente superior; por que outro motivo Bill Gates seria tão rico?”
Argumentum ad Hominem
————————
Argumentum ad Hominem literalmente significa “argumento direcionado ao homem”; há duas variedades.
A primeira é a falácia Argumentum ad Hominem abusiva: consiste em rejeitar uma afirmação e justificar a recusa criticando a pessoa que fez a afirmação. Por exemplo:
“Você diz que os ateus podem ser morais, mas descobri que você abandonou sua mulher e filhos.”
Isso é uma falácia porque a veracidade de uma asserção não depende das virtudes da pessoa que a propugna. Uma versão mais sutil do Argumentum ad Hominen é rejeitar uma proposição baseando-se no fato de ela também ser defendida por pessoas de caráter muito questionável. Por exemplo:
“Por isso nós deveríamos fechar a igreja? Hitler e Stálin concordariam com você.”
A segunda forma é tentar persuadir alguém a aceitar uma afirmação utilizando como referência as circunstâncias particulares da pessoa. Por exemplo:
“É perfeitamente aceitável matar animais para usar como alimento. Esperto que você não contrarie o que eu disse, pois parece bastante feliz em vestir seus sapatos de couro.”
Esta falácia é conhecida como Argumentum ad Hominem circunstancial e também pode ser usada como uma desculpa para rejeitar uma conclusão. Por exemplo:
“É claro que a seu ver discriminação racial é absurda. Você é negro”
Essa forma em particular do Argumenutm ad Hominem, no qual você alega que alguém está defendendo uma conclusão por motivos egoístas, também é conhecida como “envenenar o poço”.
Não é sempre inválido referir-se às circunstâncias de quem que faz uma afirmação. Um indivíduo certamente perde credibilidade como testemunha se tiver fama de mentiroso ou traidor; entretanto, isso não prova a falsidade de seu testemunho, nem altera a consistência de quaisquer de seus argumentos lógicos.
Argumentum ad Ignorantiam
—————————
Argumentum ad Ignorantiam significa “argumento da ignorância”. A falácia consiste em afirmar que algo é verdade simplesmente porque não provaram o contrário; ou, de modo equivalente, quando for dito que algo é falso porque não provaram sua veracidade.
(Nota: admitir que algo é falso até provarem o contrário não é a mesma coisa que afirmar. Nas leis, por exemplo, os indivíduos são considerados inocentes até que se prove o contrário.)
Abaixo estão dois exemplos:
“Obviamente a Bíblia é verdadeira. Ninguém pode provar o contrário.”
“Certamente a telepatia e os outros fenômenos psíquicos não existem. Ninguém jamais foi capaz de prová-los.”
Na investigação científica, sabe-se que um evento pode produzir certas evidências de sua ocorrência, e que a ausência dessas evidências pode ser validamente utilizada para inferir que o evento não ocorreu. No entanto, não prova com certeza.
Por exemplo:
“Para que ocorresse um dilúvio como o descrito pela Bíblia seria necessário um enorme volume de água. A Terra não possui nem um décimo da quantidade necessária, mesmo levando em conta a que está congelada nos pólos. Logo, o dilúvio não ocorreu.”
Certamente é possível que algum processo desconhecido tenha removido a água. A ciência, entretanto, exigiria teorias plausíveis e passíveis de experimentação para aceitar que o fato tenha ocorrido.
Infelizmente, a história da ciência é cheia de predições lógicas que se mostraram equivocadas. Em 1893, a Real Academia de Ciências da Inglaterra foi persuadida por Sir Robert Ball de que a comunicação com o planeta Marte era fisicamente impossível, pois necessitaria de uma antena do tamanho da Irlanda, e seria impossível fazê-la funcionar.
Veja também Mudando o Ônus da Prova.
Argumentum ad Lazarum
———————–
É a falácia de assumir que alguém pobre é mais íntegro ou virtuoso que alguém rico. Essa falácia é apõe-se à Argumentum ad Crumenam. Por exemplo:
“É mais provável que os monges descubram o significado da vida, pois abdicaram das distrações que o dinheiro possibilita.”
Argumentum ad Logicam
———————–
Essa é uma “falácia da falácia”. Consiste em argumentar que uma proposição é falsa porque foi apresentada como a conclusão de um argumento falacioso. Lembre-se que um argumento falacioso pode chegar a conclusões verdadeiras.
“Pegue a fração 16/64. Agora, cancelando-se o seis de cima e o seis debaixo, chegamos a 1/4.”
“Espere um segundo! Você não pode cancelar o seis!”
“Ah, então você quer dizer que 16/64 não é 1/4?”
Argumentum ad Misericordiam
—————————-
É o apelo à piedade, também conhecida como Súplica Especial. A falácia é cometida quando alguém apela à compaixão a fim de que aceitem sua conclusão. Por exemplo:
“Eu não assassinei meus pais com um machado! Por favor, não me acuse; você não vê que já estou sofrendo o bastante por ter me tornado um órfão?”
Argumentum ad Nauseam
————————-
Consistem em crer, equivocadamente, que algo é tanto mais verdade, ou tem mais chances de ser, quanto mais for repetido. Um Argumentum ad Nauseamé aquele que afirma algo repetitivamente até a exaustão.
Argumentum ad Novitatem
————————-
Esse é o oposto do Argumentum ad Antiquitatem; é a falácia de afirmar que algo é melhor ou mais verdadeiro simplesmente porque é novo ou mais recente que alguma outra coisa.
“BeOS é, de longe, um sistema operacional superior ao OpenStep, pois possui um design muito mais atual.”
Argumentum ad Numerum
————————
Falácia relacionada ao Argumentum ad Populum. Consiste em afirmar que quanto mais pessoas concordam ou acreditam numa certa proposição, mais provavelmente ela estará correta. Por exemplo:
“A grande maioria dos habitantes deste país acredita que a punição capital é bastante eficiente na diminuição dos delitos. Negar isso em face de tantas evidências é ridículo.”
“Milhares de pessoas acreditam nos poderes das pirâmides; ela deve ter algo de especial.”
Argumentum ad Populum
———————–
Também conhecida como apelo ao povo. Comete-se essa falácia ao tentar conquistar a aceitação de uma proposição apelando a um grande número de pessoas. Esse tipo de falácia é comumente caracterizado por uma linguagem emotiva. Por exemplo:
“A pornografia deve ser banida. É uma violência contra as mulheres.”
“Por milhares de anos pessoas têm acreditado na Bíblia e Jesus, e essa crença teve um enorme impacto sobre suas vida. De que outra evidência você precisa para se convencer de que Jesus é o filho de Deus? Você está dizendo que todas elas são apenas estúpidas pessoas enganadas?”
Argumentum ad Verecundiam
—————————-
O Apelo à Autoridade usa a admiração a uma pessoa famosa para tentar sustentar uma afirmação. Por exemplo:
“Isaac Newton foi um gênio e acreditava em Deus.”
Esse tipo de argumento não é sempre inválido; por exemplo, pode ser relevante fazer referência a um indivíduo famoso de um campo específico. Por exemplo, podemos distinguir facilmente entre:
“Hawking concluiu que os buracos negros geram radiação.”
“Penrose conclui que é impossível construir um computador inteligente.”
Hawking é um físico, então é razoável admitir que suas opiniões sobre os buracos negros são fundamentadas. Penrose é um matemático, então sua qualificação para falar sobre o assunto é bastante questionável.
Audiatur et Altera Pars
———————-
Freqüentemente pessoas argumentam partir de assunções omitidas. O princípio do Audiatur et Altera Pars diz que todas premissas de um argumento devem ser explicitadas. Estritamente, a omissão das premissas não é uma falácia; entretanto, é comumente vista como algo suspeito.
Bifurcação
———
“Preto e Branco” é outro nome dado a essa falácia. A Bifurcação ocorre se alguém apresenta uma situação com apenas duas alternativas, quando na verdade existem ou podem existir outras. Por exemplo:
“Ou o homem foi criado, como diz a Bíblia, ou evoluiu casualmente de substâncias químicas inanimadas, como os cientistas dizem. Já que a segunda hipótese é incrivelmente improvável, então…”
Se tivessem feito o upload do documento para a net e deixado a hiperligação, como o meu grupo fez, evitavam esta monstruosidade de post.
Isto torna-se muito pouco estético.
Já agora, alguém que edite de forma aos trabalhos terem a categoria própria. Assim ninguém se entende com isto!
Eu edito, se quiserem…
Comment by David Sineiro — 22 22e April 22e 2007 @ 9:44
Caros elementos do Grupo 05
Outra possibilidade, para além daquela indicada pelo David, consiste em dividir o artigo (foi o que já fiz no vosso artigo). Após a parte inicial, o leitor tem acesso à continuação através da hiperligação (o símbolo encontra-se na barra de estilos).
Para colmatar a sua falta, deverão colocar as referências bibliográficas da(s) obra(s) cujo conteúdo se encontra colocado no artigo.
Também poderiam desenvolver a parte introdutória, contextualização/apresentação do tema que vos calhou.
Caso tenham acesso à barra de estilos, poderão recorrer a possibilidades de configuração formal (tal como vimos na aula da semana passada) para organizar e para dar ênfase aos elementos do vosso artigo.
Sei que os recursos da plataforma, por vezes, não estão disponíveis, mas o caminho faz-se caminhando, fazendo e refazendo… Obrigado.
L. B.
Comment by barbeiro — 23 23e April 23e 2007 @ 19:26